Caveiras de diamantes para celebrar a vida
25 de Janeiro de 2011

Damien Hirst é um artista polêmico. Ficou famoso ao mostrar animais fatiados e pedaços de corpos humanos mergulhados em formol, que causavam espanto e enjoo em muita gente. Tempos atrás, ganhou manchetes ao apresentar uma escultura de platina, no formato de um crânio, recoberta de diamantes. Goste ou não, essa é uma das obras mais valiosas de um artista vivo, cerca de U$ 100 milhões.

Agora, Hirst está na mídia de novo com outra escultura na forma de crânio de bebê, recoberto de diamantes, e uma escultura de ouro, na forma de um esqueleto de bebê com asas. A polêmica aconteceu porque ele usou como molde os ossos de um bebê de duas semanas, do século 19, que pertenciam a uma coleção de patologia comprada anos atrás. Muita gente achou que usar ossos de verdade é um desrespeito àquele bebê. Mas Hirst acredita que caveiras são bonitas, que levam a pensar e que, recobertas de diamantes, são uma celebração à vida. Então… 
 

Damien Hirst Expo Firenze 

Essa escultura, aí de cima, foi a primeira a vir a público. “For the Love of God” é um crânio de platina, de tamanho natural, recoberto por 8.601 diamantes, num total de 1.106,18 quilates. Na testa, traz um diamante rosa batizado Skull Star (estrela da caveira). Os dentes são verdadeiros – sobras de um crânio do século 19 que serviu de modelo para a obra. Se por acaso você passar pela Itália nos próximos meses, vá vê-la, pois é raro estar exposta. Está no museu Palazzo Vecchio, em Florença, e só outros dois museus puderam exibir a peça desde que foi criada, em 2007, até hoje.
 

Damien Hirst - For Heaven's Sake 2008 Gagosian Gallery

 
Ainda em 2008, Hirst fez também uma escultura na forma de caveira de bebê, de platina, e recobriu-a com 8.128 diamantes rosas e brancos. Mas só agora, com a inauguração da galeria Gagosian, em Hong Kong, é a que obra, batizada de “For Heavens’ Sake”, está sendo mostrada. A galeria também está expondo pela primeira vez a obra “Cupid’s Lie”, de 2008: um esqueleto de bebê todo de ouro, com asas, que mede 10.3 x 36.5 x 32.5 cm.
 

Damien Hirst - Cupid's Lie 2008 - Gagosian Gallery

 

De uns tempos para cá, Hirst passou a trabalhar com crânios, diamantes e borboletas para expressar ideias sobre a existência do homem. Seus trabalhos ressaltam a dualidade entre vida e morte, beleza e decadência, desejo e medo, amor e sofrimento. Para ele, crânios simbolizam a vida e a morte; diamantes simbolizam a perfeição, o eterno. E borboletas (veja algumas no site da Gagosian clicando aqui) são um símbolo da beleza e da fragilidade da vida. 

Na exposição de Hong Kong, há algumas borboletas, óleo sobre tela, com tantos detalhes realísticos que lembram uma fotografia. São tão coloridas e suaves em seus voos que nem parecem ter sido feitas pelo mesmo artista dos crânios. Bem, a rigor, não foram mesmo! Hirst tem uma equipe de 120 pessoas trabalhando para ele, das quais 26 estão pintando borboletas. Ele não deu uma única pincelada, mas assina as obras. E se defende dizendo que um arquiteto não detalha projetos nem constrói nada, mas assina e ninguém reclama. Sim, mais polêmica…  

Museo di Palazzo Vecchio
Piazza della Signoria 1 – 50122 – Florença – Itália
“For the Love of God” –  Até 1 de maio de 2011
Veja mais: www.hirst.it

Gagosian Gallery
12 Pedder Street – Hong Kong
“Forgotten Promises” – até 19 de março de 2011
Veja mais: http://www.gagosian.com

>>> Por: Roberta Rossetto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *